Café preto e sem açúcar: aliado do coração e da longevidade, aponta novo estudo
Você costuma tomar café todos os dias? Se sim, saiba que essa simples escolha pode fazer mais pela sua saúde do que você imagina — especialmente, se o café for preto e sem açúcar. Um estudo recente, publicado em junho no The Journal of Nutrition, analisou os hábitos de consumo de café de milhares de pessoas e concluiu que beber de uma a duas xícaras diárias de café com cafeína, sem adição de açúcar ou creme, está associado a um menor risco de morte por todas as causas, com destaque para a redução das mortes por doenças cardiovasculares.
A pesquisa foi conduzida por uma equipe da Friedman School of Nutrition Science and Policy, nos Estados Unidos, e liderada pela professora Fang Fang Zhang. Os cientistas observaram que os benefícios do café para a saúde parecem estar ligados aos seus compostos bioativos naturais como antioxidantes e anti-inflamatórios, mas que esses efeitos positivos são reduzidos ou anulados, quando a bebida é adoçada ou combinada com ingredientes ricos em gordura saturada.
Essas descobertas reforçam o que outros estudos já vinham sugerindo: o café, consumido de forma simples e moderada, contribui significativamente para a saúde do coração e para uma vida mais longa. Mas o que exatamente faz do café preto um aliado da saúde? E como consumir de forma segura e eficaz? Acompanhe as respostas a seguir.
Por que o café preto faz bem para o coração?
Os benefícios do café puro devem-se, principalmente, à presença de compostos como polifenóis, ácido clorogênico, trigonelina e cafestol. Esses componentes atuam como antioxidantes, combatendo o estresse oxidativo, reduzindo a inflamação e ajudando a proteger as células do sistema cardiovascular.
Além disso, esses compostos têm efeitos positivos sobre o metabolismo da glicose e da gordura, melhorando a sensibilidade à insulina, ajudando no controle da pressão arterial e reduzindo marcadores inflamatórios, todos fatores de risco importantes para doenças cardíacas.
No estudo da The Journal of Nutrition, os participantes que consumiam café sem adição de açúcar ou leite apresentaram redução significativa no risco de mortalidade, enquanto aqueles que adoçavam ou adicionavam creme à bebida não apresentaram os mesmos benefícios — um dado que alerta para o impacto dos “extras” no valor nutricional do café.
Quantidade ideal: quanto café tomar por dia?
Segundo os dados do estudo, o consumo mais benéfico foi o de uma a duas xícaras por dia, o que representa uma ingestão moderada de cafeína. Esse consumo foi associado a menores taxas de mortalidade, sem os efeitos adversos, comumente, ligados à ingestão excessiva de cafeína como ansiedade, insônia e palpitações.
É importante também considerar a forma de preparo. Cafés filtrados, por exemplo, podem ter menor teor de substâncias que aumentam o colesterol, como o cafestol, se comparados a métodos como prensa francesa ou café turco. Ou seja, não é apenas quanto você bebe, mas como prepara a xícara e o que adiciona a ela.
Café e longevidade: o que a ciência já sabe
O estudo recente soma-se a uma série de pesquisas que vêm destacando os efeitos protetores do café sobre a saúde ao longo do tempo. Revisões sistemáticas e estudos populacionais já relacionaram o consumo moderado de café com menor risco de doenças como:
- doença cardiovascular;
- diabetes tipo 2;
- Alzheimer e Parkinson;
- alguns tipos de câncer, como o de fígado e endométrio.
Esses benefícios parecem ser resultados da ação combinada dos compostos bioativos, que agem em diferentes mecanismos do corpo, protegendo contra inflamações crônicas, disfunções metabólicas e até envelhecimento celular.
Como adotar o café puro no dia a dia?
Se você está habituado ao café adoçado, a mudança pode ser gradual. O paladar se adapta, e logo você perceberá sabores que antes eram mascarados pelo açúcar. Seguem algumas dicas para realizar essa adaptação:
- reduza o açúcar, aos poucos, até conseguir eliminá-lo por completo;
- prefira cafés de boa qualidade, de torra média ou clara, menos amargos e mais aromáticos;
- experimente novos métodos de preparo como prensa francesa, coado ou expresso;
- evite adoçantes artificiais, que mantêm o desejo por sabores doces;
- associe o momento do café a uma pausa prazerosa, o que pode ajudar na adaptação.
O café é mais do que uma simples bebida: é um hábito cultural carregado de significados. E, quando consumido puro e com moderação, também pode ser uma ferramenta poderosa de promoção da saúde. Portanto, ao saborear sua próxima xícara, pense bem antes de adicionar açúcar ou creme. Pequenas mudanças podem fazer grande diferença — inclusive na sua expectativa de vida.
Quer saber mais sobre o tema? Confira mais dicas clicando aqui.
Para este e outros conteúdos, siga meu Instagram @cristinatrovonutricionista.