Pesquisa revela: 60% dos hipertensos brasileiros não seguem o tratamento e as consequências podem ser graves
Você sabia que a cada dez pessoas com hipertensão no Brasil, seis não seguem o tratamento corretamente? A conclusão da pesquisa revelada por um estudo nacional publicado na International Journal Science of Cardiology, acende um alerta urgente sobre uma doença que, apesar de silenciosa, é uma das principais causas de morte no país. A hipertensão arterial — muitas vezes negligenciada por não apresentar sintomas — pode levar a acidente vascular cerebral (AVC), infarto e, até, morte súbita, quando não controlada.
Mas há uma informação positiva: a alimentação tem poder direto sobre a pressão arterial, podendo reduzir riscos, melhorar o controle e, até mesmo, evitar o uso de altas doses de medicamentos. Entender como o estilo de vida influencia o coração é o primeiro passo para mudar esse panorama.
A seguir, você vai entender o que a pesquisa revelou sobre o comportamento dos hipertensos brasileiros, por que o controle da pressão é tão difícil — e como o manejo nutricional pode ser o grande aliado na prevenção e no tratamento da doença.
A pesquisa que revelou o cenário da hipertensão no Brasil
O estudo, conduzido por pesquisadores de diversas instituições brasileiras, acompanhou pacientes durante quase dois anos. Entre eles, mais de 200 foram atendidos pela Associação Ribeirãopretana de Ensino, Pesquisa e Assistência ao Hipertenso (Arepah), sob coordenação do professor Evandro José Cesarino, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP).
A pesquisa utilizou a Escala de Morisky-Green, um questionário validado internacionalmente e de baixo custo, que avalia se o paciente esquece, descuida ou interrompe o uso da medicação. O resultado foi claro: quase 60% dos hipertensos brasileiros não seguem corretamente o tratamento prescrito.
Segundo Cesarino, “a hipertensão é uma doença silenciosa, mas que pode matar. Muitos pacientes não percebem sua gravidade e acabam abandonando o tratamento, o que reforça a importância de estratégias de acompanhamento contínuo e educação em saúde.”
A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que cerca de 400 mil brasileiros morrem, por ano, em decorrência de doenças cardiovasculares, sendo a hipertensão um dos principais fatores de risco. Esses números evidenciam a necessidade de ações integradas entre profissionais de saúde, pacientes e políticas públicas, que visam aumentar a adesão ao tratamento e prevenir complicações.
Hipertensão: uma doença silenciosa e multifatorial
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é caracterizada pela elevação persistente da pressão sanguínea acima de 140/90 mmHg. Em 90% dos casos, trata-se da forma essencial ou primária, influenciada por fatores genéticos, ambientais e comportamentais.
Entre os principais fatores de risco estão:
- consumo excessivo de sal e alimentos ultraprocessados;
- sedentarismo e baixa prática de atividade física;
- obesidade abdominal;
- estresse crônico;
- consumo excessivo de álcool;
- tabagismo.
Por isso, a prevenção e o controle devem começar, antes que os sinais apareçam, com foco em mudanças sustentáveis no estilo de vida — e a nutrição tem papel central nesse processo.
O papel da alimentação no controle da hipertensão
A alimentação é uma das principais ferramentas no manejo da pressão arterial. Ajustes simples e consistentes, no padrão alimentar, podem reduzir a pressão, potencializar o efeito dos medicamentos e melhorar a qualidade de vida, a exemplo, dos citados a seguir.
1. Redução do consumo de sal e ultraprocessados: o sal é o maior vilão da pressão alta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo máximo de 5g de sal por dia — o equivalente a uma colher de chá. No entanto, o brasileiro consome, em média, mais que o dobro desse valor. Evitar embutidos, molhos prontos, sopas instantâneas, enlatados e temperos industrializados é essencial para controlar o sódio e prevenir crises hipertensivas.
2. Aumento do consumo de potássio, magnésio e cálcio: esses minerais ajudam a equilibrar a pressão e proteger o coração. Banana, abacate, feijões, folhas verde-escuras, iogurtes e sementes são excelentes fontes. O potássio, em especial, auxilia na eliminação do excesso de sódio pelos rins, promovendo o equilíbrio pressórico.
3. Moderação no consumo de álcool e cafeína: o consumo exagerado de álcool e cafeína pode elevar a pressão arterial. A moderação é essencial, especialmente para quem já apresenta histórico familiar de hipertensão.
5. Manutenção do peso corporal e prática regular de atividade física: perder entre 5% e 10% do peso corporal já é suficiente para melhorar o controle da pressão. Caminhadas diárias, alongamentos e exercícios de força são aliados fundamentais do tratamento.
Informação e adesão salvam vidas
A pesquisa brasileira deixa um aviso explícito: não basta diagnosticar, é preciso acompanhar e educar. A hipertensão não controlada continua sendo uma das maiores ameaças à saúde pública no país — mas é também uma das mais preveníveis.
Cuidar do coração começa com pequenas escolhas: reduzir o sal, aumentar o consumo de frutas e verduras, praticar exercícios e seguir, corretamente, as orientações médicas e nutricionais. A adesão ao tratamento não é apenas uma questão de disciplina, mas de consciência e autocuidado.
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