Mitos e verdades sobre o glúten e a lactose: o que a ciência realmente diz

Mitos e verdades sobre o glúten e a lactose: o que a ciência realmente diz

       Quando o assunto é desconforto intestinal, poucas palavras despertam tanta atenção quanto glúten e lactose. Nos últimos anos, esses dois componentes alimentares ganharam fama de vilões — responsáveis por inchaço, dor abdominal, gases, diarreia, fadiga e, até mesmo, alterações de humor. Mas será que eles são realmente os culpados? A ciência mostra que a resposta é mais complexa do que parece. Na verdade, a intolerância verdadeira ao glúten e à lactose é muito menos comum do que a maioria das pessoas imagina, e muitos dos sintomas atribuídos a eles podem ter outras origens.
        Essa confusão abre espaço para dietas restritivas desnecessárias e até prejuízos nutricionais — e é, nesse ponto, que a conversa fica interessante.

       Neste texto, vamos desvendar os principais mitos e verdades sobre o glúten e a lactose, mostrando o que realmente está comprovado pela ciência e quais os sinais que merecem atenção. Se você já pensou em cortar algum desses alimentos sem diagnóstico, ou se sente desconforto após comer pão, massas ou laticínios, este conteúdo é para você.

Glúten: entre mitos, medos e evidências científicas

       A verdade é que o glúten, uma proteína presente no trigo, na cevada e no centeio, tornou-se uma personagem controversa. Enquanto pessoas com doença celíaca precisam, de fato, retirá-lo completamente da alimentação para preservar a saúde intestinal, essa condição é rara e afeta cerca de 1% da população. Há ainda a sensibilidade ao glúten não celíaca, que existe, mas é muito menos frequente do que se popularizou. Curiosamente, estudos mostram que muitos sintomas atribuídos ao glúten podem ser explicados por outros fatores, como a síndrome do intestino irritável ou a dificuldade de digestão de carboidratos fermentáveis presentes em diversos alimentos — e não apenas no trigo. Assim, a ideia de que “glúten faz mal para todo mundo” não tem respaldo científico. Para a maioria das pessoas, alimentos com glúten fazem parte de uma alimentação saudável e equilibrada, especialmente, quando consumidos em suas versões integrais, ricas em fibras e micronutrientes.

Lactose: entre a intolerância e a desinformação

       Com a lactose, o cenário é parecido. A intolerância à lactose ocorre quando há redução da enzima lactase, responsável por digerir esse açúcar presente no leite. Embora seja comum ouvir relatos de desconforto, após consumir laticínios, a intolerância verdadeira também é menos prevalente do que se acredita. Muitas pessoas confundem sintomas inespecíficos — como distensão abdominal, gases e sensação de plenitude — com intolerância à lactose. Na verdade, esses desconfortos podem surgir por outros motivos, como o consumo exagerado de alimentos gordurosos, fermentação intestinal aumentada, alterações da microbiota ou até hábitos simples, como mastigar rápido demais. Outro ponto essencial: intolerância não significa exclusão total. A maioria das pessoas tolera pequenas quantidades de lactose sem sintomas, e derivados como iogurtes e queijos curados costumam ser muito bem aceitos, pois trazem bactérias que facilitam a digestão.

Se não é glúten nem lactose… o que está acontecendo?

       Quando tiramos o foco desses dois elementos, um cenário mais amplo se revela. Questões como síndrome do intestino irritável, disbiose, ansiedade, uso de medicamentos, alterações da motilidade intestinal e, ainda, o consumo de FODMAPs — grupo de carboidratos fermentáveis presentes em alimentos como cebola, maçã, mel, leguminosas e adoçantes artificiais — podem explicar grande parte dos desconfortos que muitas pessoas atribuem, injustamente, ao glúten ou à lactose. E esse é o perigo: ao acreditar que glúten e lactose são sempre os culpados, muitas pessoas acabam adotando dietas restritivas desnecessárias, que reduzem fibras, cálcio, vitaminas importantes, prejudicando a relação do corpo com os alimentos.

Menos medo, mais ciência

       Antes de excluir alimentos de forma definitiva, a recomendação é clara: procurar avaliação profissional, realizar testes adequados e observar o próprio corpo com atenção. A dieta deve ser um caminho para mais saúde, equilíbrio e liberdade — não para medo e proibições sem fundamento. Com informação de qualidade e uma abordagem personalizada, é possível identificar a causa real do desconforto gastrointestinal e construir uma alimentação nutritiva, prazerosa e sustentável.
 Com ou sem glúten, com ou sem lactose, o mais importante é sempre escolher o caminho guiado pela ciência.

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