Dois terços dos suplementos avaliados pela Anvisa têm irregularidades- O que isso significa para a sua saúde?
Nos últimos anos, os suplementos alimentares se tornaram parte da rotina de milhões de brasileiros — seja para melhorar a performance na academia, dar uma “forcinha” no emagrecimento, ou simplesmente complementar a alimentação. Mas por trás das embalagens chamativas e das promessas, existe uma realidade pouco conhecida: grande parte desses produtos não atende aos padrões mínimos de segurança. E esse cenário acende um alerta importante para quem deseja cuidar da saúde.
Um levantamento recente da Anvisa revelou que dois em cada três suplementos avaliados apresentam algum tipo de irregularidade — um dado que chama atenção, especialmente, em um mercado que cresce rapidamente e movimenta bilhões. Ingredientes proibidos, doses inadequadas, falhas na pureza, ausência de estudos de estabilidade e informações enganosas no rótulo são apenas alguns dos problemas encontrados. E o mais preocupante: muitas empresas ainda terão até 2026 para se adequar às normas, aumentando o período de exposição do consumidor a produtos potencialmente perigosos.
Por que esse cenário se agravou? Como proteger a sua saúde nesse contexto? É isso que você vai entender a seguir.
Um mercado bilionário com pouca fiscalização
O consumo de suplementos no Brasil disparou na última década, crescendo quase 300%, segundo entidades do setor. Isso ampliou a oferta e, também, a variedade de produtos sem controle adequado. Nos últimos anos, investigações da Anvisa mostraram que grande parte das autuações em alimentos envolvia suplementos, confirmando a existência de um problema estrutural: o setor avança mais rápido do que as regras que deveriam regulá-lo.
A ausência de padronização e de fiscalização efetiva abriu espaço para:
- produtos sem testes de pureza e estabilidade;
- ingredientes proibidos ou não declarados;
- doses muito acima do limite seguro;
- promessas terapêuticas que só seriam permitidas a medicamentos.
Não por acaso, vários produtos foram interditados, recentemente, após a detecção de substâncias farmacológicas escondidas em cápsulas vendidas como “naturais”.
A ‘zona cinzenta’ entre alimento e medicamento
Um dos grandes desafios do setor é que os suplementos são classificados como alimentos, mas muitas marcas usam estratégias de marketing e composições que os aproximam de medicamentos — criando, assim, uma zona cinzenta, na qual o consumidor acredita estar adquirindo algo seguro e inofensivo.
Só que o risco é real. Quando um suplemento usa ingredientes com ação farmacológica, sem declarar no rótulo, ou quando oferece doses exageradas de vitaminas, a consequência pode ser grave. A promessa de ganho de energia, perda de peso ou “booster” de metabolismo esconde potenciais danos ao fígado, ao coração, aos rins e ao sistema hormonal.
Riscos reais: lesões hepáticas, cardiovasculares e renais
A ideia de que “natural não faz mal” tornou-se um mito perigoso. Especialistas alertam que:
- vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) podem causar toxicidade quando ingeridas em excesso;
- termogênicos e estimulantes podem desencadear arritmias, hipertensão, ansiedade e insônia;
- compostos não declarados (comuns em suplementos para emagrecer) aumentam o risco de intoxicação, falta de apetite, náuseas e crises de taquicardia.
A força do marketing e o impacto no comportamento do consumidor
O apelo visual e emocional das embalagens, somado às promessas de resultados rápidos, cria um ambiente ideal para escolhas impulsivas. “Que mal pode fazer uma cápsula por dia?” — essa é a pergunta que muitos consumidores fazem, antes de sentir os efeitos colaterais.
Há inúmeros relatos de pessoas que tiveram reações intensas, após consumir produtos “naturais” vendidos sem aprovação sanitária, incluindo taquicardia, sudorese excessiva, tontura e inapetência — sinais clássicos de estímulo metabólico acima do normal.
Como identificar suplementos seguros
Diante de um mercado tão heterogêneo, conhecer critérios de segurança é fundamental. Antes de comprar um suplemento, verifique:
1. Existência de notificação ou registro na Anvisa: obrigatório para produtos lançados a partir de 2024 — o número deve estar visível no rótulo.
2. Desconfie de promessas milagrosas: suplementos não podem prometer cura, emagrecimento acelerado, aumento de libido ou efeitos terapêuticos.
3. Consulte o fabricante: procure CNPJ, endereço e informações de contato.
4. Pesquise no site da Anvisa: a lista oficial mostra se o produto é regularizado.
5. Priorize estabelecimentos confiáveis: evite compras por redes sociais, marketplaces sem fiscalização e vendedores informais.
O papel do nutricionista e do médico na suplementação segura
A suplementação pode ser extremamente benéfica, quando prescrita com base em exames, histórico clínico e necessidades reais. O problema está no uso indiscriminado — e não nos suplementos em si.
Profissionais da saúde são essenciais para determinar:
- quando suplementar;
- qual produto escolher;
- em que dose;
- por quanto tempo;
- e como monitorar a segurança.
Sem essa orientação, os riscos, frequentemente, superam os benefícios.
Informação é o melhor suplemento
Devido a esse cenário de irregularidades, que ultrapassa 60% dos produtos, é fundamental que o consumidor adote uma postura crítica, antes de comprar qualquer produto. Enquanto as empresas têm até 2026 para se adequar, cabe ao público se proteger, por meio de informação confiável e orientação profissional.
Quer saber mais sobre o tema? Confira mais dicas clicando aqui.
Para este e outros conteúdos, siga meu Instagram @cristinatrovonutricionista.