Sem açúcar, mas não sem risco O impacto do refrigerante zero no fígado
Durante anos, o refrigerante zero foi visto como a “escolha inteligente” para quem quer reduzir calorias e açúcar. Mas será que ele, realmente, é inofensivo para a saúde metabólica? Estudos recentes vêm levantando um alerta importante: mesmo sem açúcar, essas bebidas podem estar associadas ao aumento do acúmulo de gordura no fígado. Esse achado tem chamado a atenção de pesquisadores e profissionais de saúde, principalmente, pelo crescimento dos casos de esteatose hepática associada à disfunção metabólica (MASLD), uma condição cada vez mais comum no mundo moderno.
Neste artigo, você vai entender o que dizem as pesquisas mais atuais, quais os possíveis mecanismos por trás dessa relação e o que isso significa, na prática, para quem consome refrigerantes zero com frequência.
O que o estudo sobre refrigerante zero e gordura no fígado avaliou?
Uma grande pesquisa populacional acompanhou mais de 120 mil adultos ao longo de, aproximadamente, 10 anos. Nenhum dos participantes apresentava doença hepática no início do acompanhamento. O consumo de bebidas — incluindo refrigerantes tradicionais, diet e zero — foi avaliado por meio de recordatórios alimentares aplicados, repetidamente, ao longo do tempo.
Os pesquisadores analisaram a associação entre o consumo dessas bebidas e o desenvolvimento de:
- acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática);
- doença hepática associada à disfunção metabólica (MASLD);
- mortalidade relacionada a complicações hepáticas.
Os resultados chamaram atenção: tanto refrigerantes açucarados quanto as versões sem açúcar estavam associados a maior risco de desenvolver gordura no fígado.
Refrigerante zero aumenta o risco de esteatose hepática?
De acordo com os dados, o consumo regular de bebidas sem açúcar — incluindo refrigerantes zero e diet — esteve relacionado a um aumento expressivo no risco de MASLD. Em alguns casos, a elevação chegou a cerca de 60%, quando comparada a pessoas que não consumiam esse tipo de bebida.
Além disso, mesmo quantidades consideradas “moderadas”, como uma lata por dia, já demonstraram associação com maior acúmulo de gordura hepática. Isso reforça a ideia de que o problema não está apenas na quantidade de açúcar, mas também em outros componentes presentes nessas bebidas.
Por que refrigerantes zero podem afetar o fígado?
Embora não contenham açúcar, os refrigerantes zero possuem adoçantes artificiais e outros aditivos que podem interferir no metabolismo. Entre os principais mecanismos estudados estão:
1. Alterações na microbiota intestinal
Adoçantes artificiais podem modificar a composição das bactérias intestinais, o que impacta, diretamente, o metabolismo da glicose, a inflamação sistêmica e o armazenamento de gordura.
2. Estímulo indireto à insulina
Alguns adoçantes são capazes de estimular respostas hormonais, incluindo liberação de insulina, mesmo sem a presença de açúcar. Esse efeito pode favorecer o armazenamento de gordura no fígado ao longo do tempo.
3. Mudanças na percepção de saciedade
O consumo frequente de bebidas adoçadas artificialmente pode interferir nos mecanismos de fome e saciedade, levando ao aumento do consumo calórico total ao longo do dia.
4. Associação com padrões alimentares pouco saudáveis
Estudos observacionais mostram que as pessoas, que consomem refrigerantes zero com frequência, tendem a apresentar outros comportamentos alimentares de risco como maior ingestão de ultraprocessados e baixo consumo de fibras.
O que é MASLD e por que ela preocupa?
A MASLD (Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica) é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no fígado, mesmo em pessoas que não consomem álcool em excesso. Ela pode evoluir para quadros mais graves como:
- inflamação hepática (esteato-hepatite);
- fibrose;
- cirrose;
- aumento do risco cardiovascular.
Atualmente, estima-se que mais de 30% da população adulta mundial apresenta algum grau de gordura no fígado, tornando essa condição um importante problema de saúde pública.
Refrigerante zero é realmente uma escolha saudável?
Apesar de não conter açúcar, o refrigerante zero não pode mais ser visto como uma opção neutra para a saúde metabólica. As evidências científicas indicam que seu consumo regular pode estar associado ao aumento de gordura no fígado e ao risco de doenças hepáticas.
Se você busca proteger seu fígado, melhorar seu metabolismo e investir em saúde a longo prazo, repensar o consumo dessas bebidas é um passo importante.
Quer saber mais sobre o tema? Confira mais dicas clicando aqui.
Para este e outros conteúdos, siga meu Instagram @cristinatrovonutricionista.