Queda de cabelo ou flacidez: pode ser deficiência de nutrientes? Como saber e o que fazer?

Queda de cabelo ou flacidez: pode ser deficiência de nutrientes? Como saber e o que fazer?

Você percebeu que o cabelo está caindo mais, os fios estão mais finos ou a pele parece menos firme? É comum que, diante desses sinais, a primeira suspeita seja a falta de alguma vitamina ou, até mesmo, de colágeno. Mas será que é sempre assim?

       A alimentação, realmente, tem um papel importante na saúde dos cabelos e da pele. Deficiências de alguns nutrientes podem contribuir para queda de cabelo e alterações na qualidade dos tecidos. Porém, isso não significa que toda queda seja causada por deficiência nutricional, ou que um suplemento seja a solução.

       Antes de escolher uma vitamina, é preciso entender a causa do problema.

Queda de cabelo pode ser falta de nutrientes?

        A queda do cabelo pode, sim, ser falta de nutrientes. O crescimento dos cabelos exige energia, proteínas, vitaminas e minerais. Por isso, deficiências de ferro, zinco e proteínas, por exemplo, podem estar associadas à queda dos fios. A vitamina D também vem sendo estudada em diferentes tipos de alopecia.

       O ferro merece atenção, especialmente, em pessoas com maior risco de deficiência como mulheres que apresentam perdas menstruais importantes. Entretanto, níveis baixos de determinados nutrientes não significam, automaticamente, que eles sejam a causa da queda.

       Além disso, a queda de cabelo pode estar relacionada ao estresse, a alterações hormonais, doenças da tireoide, perda rápida de peso, medicamentos, à genética e a condições do couro cabeludo.

       Por isso, tomar suplementos sem investigar a causa pode não resolver o problema.

E a flacidez? É falta de colágeno?

       A firmeza da pele depende de estruturas como colágeno e elastina, mas também sofre influência do envelhecimento, da genética, exposição solar, composição corporal e das alterações hormonais.

       A alimentação participa desse processo porque fornece os aminoácidos e micronutrientes necessários para a manutenção dos tecidos. A vitamina C, por exemplo, é essencial para a síntese de colágeno.

       Mas isso não significa que toda flacidez seja consequência de uma “falta de colágeno”.

       É por isso que produtos e suplementos que prometem simplesmente “repor colágeno” não devem ser encarados como solução universal.

Quais nutrientes merecem atenção?

●       Proteínas: são fundamentais para a formação e manutenção de tecidos, incluindo pele e cabelos. Dietas muito restritivas, baixa ingestão de proteínas e perda de peso rápida podem favorecer a queda dos fios. Boas fontes de proteínas incluem carnes, peixes, ovos, leite e derivados, feijões, lentilha e grão-de-bico.

●       Ferro: a deficiência de ferro pode estar associada à queda de cabelo, principalmente em alguns grupos. A avaliação deve ser individualizada, e a suplementação não deve ser feita por conta própria.

 

●       Zinco: participa da divisão celular e de diversos processos relacionados à saúde dos tecidos e do folículo capilar. Sua deficiência pode estar associada à queda de cabelo, mas isso não significa que suplementar zinco sempre trará benefícios.

 

●       Vitamina C: além da função antioxidante, participa diretamente da produção de colágeno. Frutas e hortaliças são excelentes fontes.

 

●       Vitamina D: tem sido investigada em diferentes tipos de queda de cabelo, mas níveis baixos não significam, necessariamente, que sejam a causa do problema.

 

●       E a biotina? A biotina se tornou famosa nos suplementos para cabelo e unhas, mas sua deficiência é rara. Por isso, não há motivo para suplementá-la indiscriminadamente. Doses elevadas também podem interferir em alguns exames laboratoriais.

Como saber se existe uma deficiência?

       O primeiro passo não é comprar um suplemento: é investigar.

       Uma boa avaliação deve considerar alimentação, mudanças recentes de peso, histórico clínico, uso de medicamentos, alterações hormonais, características da queda e outros sintomas. Dependendo do caso, exames laboratoriais podem ser solicitados para investigar possíveis deficiências ou outras causas.

       Não existe um único exame capaz de explicar toda queda de cabelo ou flacidez. A investigação deve ser individualizada.

E o colágeno? Vale a pena suplementar?

       Os suplementos de colágeno são muito populares e existem estudos que apontam possíveis benefícios para alguns aspectos da pele como hidratação e elasticidade. Porém, as evidências ainda apresentam limitações e não sustentam a ideia de que o colágeno seja uma solução milagrosa para a flacidez.

       Além disso, o organismo não simplesmente “envia” o colágeno ingerido diretamente para a pele. As proteínas são digeridas e seus aminoácidos e peptídeos são utilizados pelo organismo conforme suas necessidades.

       Por isso, antes de investir em suplementos, vale garantir o básico: alimentação adequada, ingestão suficiente de proteínas, consumo de frutas e vegetais e um estilo de vida saudável.

O que fazer na prática?

       Se o cabelo começou a cair de forma persistente ou a pele apresentou mudanças importantes, procure um profissional para investigar a causa.

       Em vez de pensar apenas em “qual vitamina tomar?”, vale perguntar:

       Minha alimentação está adequada? Estou consumindo proteínas suficientes? Passei por uma perda de peso rápida? Tenho algum sinal de deficiência? Existe outra condição de saúde por trás desses sintomas?

       A suplementação pode ser necessária quando existe uma deficiência ou indicação específica. Mas, quando não há deficiência, doses maiores de vitaminas e minerais não significam, necessariamente, mais benefícios, e alguns nutrientes, quando consumidos em excesso, também podem causar problemas.

       Em conclusão, cuidar do cabelo e da pele começa muito antes do suplemento da moda. Uma alimentação variada e adequada fornece grande parte dos nutrientes necessários para a manutenção desses tecidos. E quando existe um problema persistente, investigar a causa é muito mais importante do que tentar adivinhar qual cápsula pode resolvê-lo.

       Cabelo e pele podem, sim, refletir a nossa nutrição. Mas eles também contam uma história sobre o organismo como um todo.

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