Musculação pode mudar a gordura corporal antes de a balança mostrar resultados
Você começou a fazer musculação, está tentando melhorar a qualidade dos alimentos que compõem suas refeições, mas a balança parece não sair do lugar. Não se preocupe, isso não significa, necessariamente, que nada esteja acontecendo. Um estudo recente, realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostrou que o exercício pode provocar mudanças no tecido de gordura, antes mesmo de uma redução significativa no peso corporal.
A pesquisa, publicada na revista científica Life Sciences, acompanhou camundongos obesos submetidos a sete dias de treinamento de força. Os pesquisadores observaram mudanças nas células de gordura e em mecanismos relacionados à sua utilização como fonte de energia.
Mas será que isso significa que sete dias de musculação são suficientes para emagrecer? Não é bem assim.
O que a pesquisa descobriu?
Os pesquisadores avaliaram camundongos obesos, que realizaram sessões de treinamento de força durante sete dias. Depois desse período, os animais apresentaram redução no tamanho das células de gordura e mudanças em mecanismos envolvidos na quebra e utilização dos lipídios.
Uma das regiões analisadas foi o tecido adiposo mesentérico, localizado na região abdominal e próximo aos intestinos. Esse tipo de gordura faz parte da chamada gordura visceral, que está relacionada à saúde metabólica.
O mais interessante é que essas mudanças aconteceram antes de uma redução importante no peso dos animais.
Em outras palavras, o estudo mostra que o organismo pode começar a responder ao exercício antes que essas mudanças apareçam, claramente, na balança.
Isso significa que a musculação emagrece em sete dias?
Não, isso não significa que, em sete dias, a musculação faça emagrecer. Essa é uma diferença importante. O estudo foi realizado em camundongos, e não em seres humanos. Além disso, os pesquisadores estavam interessados, principalmente, em entender o que acontece dentro do tecido de gordura no início do treinamento.
Por isso, não podemos dizer que uma pessoa que faça musculação, durante sete dias, necessariamente, perderá gordura ou peso nesse período.
Esse resultado é importante porque ajuda a entender que as mudanças provocadas pelo exercício começam antes de serem visíveis.
Queimar gordura e perder gordura são a mesma coisa?
Quando se diz queimar gordura não se está dizendo, exatamente, perder gordura.
Durante o exercício, o organismo pode aumentar a utilização de gordura como fonte de energia. Mas isso não significa que, no fim de uma sessão, a pessoa, obrigatoriamente, tenha perdido uma quantidade significativa de gordura corporal.
A redução de gordura, ao longo do tempo, depende de vários fatores, incluindo alimentação, gasto energético, atividade física, sono, rotina e composição corporal.
É por isso que não faz muito sentido pensar apenas em quantas calorias foram “queimadas” durante o treino.
E onde entra a alimentação?
Nesse tema a nutrição exerce um papel importante.
A musculação oferece um estímulo para os músculos e provoca diversas adaptações no organismo. A alimentação, por sua vez, fornece energia e nutrientes para sustentar o treinamento, favorecer a recuperação e ajudar na manutenção ou no ganho de massa muscular.
Quando o objetivo é reduzir gordura corporal, também é importante pensar em composição corporal, e não apenas no peso.
Isso porque duas pessoas podem perder a mesma quantidade de quilos, mas ter resultados muito diferentes, dependendo da quantidade de gordura e de massa muscular perdida no processo.
Uma alimentação adequada, com quantidades suficientes de proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, vitaminas e minerais pode fazer parte dessa estratégia. E não é necessário recorrer a dietas restritivas ou alimentos “milagrosos” para isso.
A balança não conta a história toda
O estudo da Unicamp traz uma reflexão interessante: o corpo pode estar mudando antes de o peso mudar.
Além da gordura corporal, o peso pode variar por causa da quantidade de água no organismo, do glicogênio, intestino e de outros fatores. Por isso, olhar apenas para o número da balança pode não ser suficiente para avaliar a evolução.
Medidas corporais, composição corporal, evolução da força e do desempenho nos treinos também podem ajudar a entender melhor o que está acontecendo.
E, principalmente, os benefícios da atividade física não começam somente quando o peso diminui. O exercício regular está relacionado a diversos benefícios para a saúde, e as recomendações internacionais incluem atividades de fortalecimento muscular, pelo menos, duas vezes por semana para adultos.
O que podemos concluir com essa pesquisa?
A pesquisa da Unicamp não mostra uma fórmula para emagrecer em sete dias. O que ela mostra é que o treinamento de força pode provocar alterações no tecido de gordura muito rapidamente, antes mesmo que uma diferença importante apareça na balança.
Ainda são necessários estudos para descobrir se as mesmas mudanças acontecem, da mesma forma, em seres humanos e como elas evoluem com períodos mais longos de treinamento.
Por enquanto, fica uma mensagem importante para quem começou a treinar: não ver resultados imediatos na balança não significa que o exercício não esteja fazendo efeito.
A mudança corporal acontece, ao longo do tempo, e envolve muito mais do que peso. Exercício regular, alimentação adequada, sono e uma rotina que possa ser mantida são peças que, juntas, contribuem para uma relação mais saudável com o corpo e para a melhora da composição corporal.
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