Aumento do colesterol na menopausa: entenda causas, riscos e como prevenir
A menopausa é uma etapa inevitável e natural na vida da mulher, marcada pelo fim definitivo dos ciclos menstruais. Apesar de ser um processo fisiológico, essa fase traz consigo inúmeras mudanças hormonais e metabólicas, que podem impactar diretamente a saúde. Entre os sintomas mais conhecidos como ondas de calor, alterações de humor e dificuldades para dormir, existe um aspecto silencioso, mas de extrema importância: o aumento do colesterol na menopausa.
Muitas mulheres não percebem que a redução dos níveis de estrogênio está diretamente relacionada ao metabolismo das gorduras e, consequentemente, ao risco cardiovascular. O que antes era um fator de proteção, com a chegada da menopausa pode se tornar um desafio: o colesterol total tende a subir, o LDL (o colesterol “ruim”) aumenta e o HDL (o colesterol “bom”) diminui. Essa combinação aumenta as chances de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, atualmente, uma das principais causas de morte em mulheres após os 50 anos.
Entender por que isso acontece, quais são os riscos e, principalmente, como agir para prevenir e controlar o colesterol elevado, nessa fase, é fundamental para garantir bem-estar e longevidade saudável.
Por que o colesterol aumenta na menopausa?
A queda na produção de estrogênio é a principal responsável pelas alterações no perfil lipídico. O estrogênio desempenha diversas funções protetoras no organismo, como:
- estimular a produção de HDL: o colesterol “bom”, que remove o excesso de gordura das artérias.
- controlar o acúmulo de LDL: evitando o depósito de placas de gordura nos vasos sanguíneos.
- regular a distribuição de gordura corporal: favorecendo um padrão mais periférico (quadris e coxas).
Com a queda desse hormônio, o corpo passa a acumular mais gordura abdominal, que está diretamente relacionada ao aumento do colesterol e da resistência à insulina. Além disso, outros fatores típicos da meia-idade contribuem para o desequilíbrio como redução do metabolismo basal, menor gasto energético diário e mudanças na composição corporal (aumento da massa gorda e redução da massa magra).
Os riscos do colesterol alto na menopausa
O colesterol elevado nessa fase não é apenas um número alterado nos exames de sangue. Ele pode desencadear uma série de complicações de saúde:
- doenças cardiovasculares: infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) são as complicações mais temidas e têm incidência crescente após a menopausa.
- aterosclerose: formação de placas de gordura nas artérias, dificultando a circulação do sangue.
- hipertensão arterial: muitas vezes associada ao colesterol alto e ao acúmulo de gordura abdominal.
- síndrome metabólica: caracterizada por um conjunto de fatores como obesidade abdominal, hipertensão, colesterol alterado e resistência à insulina.
Esses riscos reforçam a necessidade de atenção médica e nutricional, durante essa fase da vida.
Alimentação e estilo de vida: a chave para equilibrar o colesterol
Embora fatores hormonais não possam ser controlados, hábitos saudáveis podem fazer toda a diferença no controle do colesterol. Pequenas mudanças diárias são capazes de reduzir o risco cardiovascular e melhorar a qualidade de vida.
● Aposte em alimentos ricos em fibras: fibras solúveis, presentes em aveia, feijão, lentilha, maçã e linhaça, ajudam a reduzir a absorção do colesterol no intestino. Incluí-las, diariamente no cardápio, é uma das formas mais eficazes de manter o colesterol sob controle.
● Prefira gorduras boas: substitua gorduras saturadas e trans (presentes em carnes gordurosas, frituras e ultraprocessados) por gorduras insaturadas encontradas no azeite de oliva, nas castanhas, sementes e no abacate.
● Inclua alimentos ricos em fitoestrógenos: soja, grão-de-bico, linhaça e ervilha contêm fitoestrógenos, compostos vegetais que mimetizam a ação do estrogênio, contribuindo para um melhor equilíbrio metabólico.
● Evite excesso de açúcar e farinhas refinadas: eles favorecem a resistência à insulina e o acúmulo de gordura abdominal, agravando o perfil lipídico. Prefira versões integrais e consuma frutas como fonte de energia natural.
● Invista na atividade física: exercícios aeróbicos como caminhada, corrida, natação e ciclismo, são excelentes para aumentar o HDL e reduzir o LDL. Já os exercícios de força ajudam a preservar a massa muscular que, naturalmente, tende a diminuir após a menopausa.
● Controle o peso corporal: manter um peso saudável reduz, significativamente, o risco de doenças cardiovasculares. Estratégias de reeducação alimentar, associadas à orientação profissional, podem ser decisivas nesse processo.
● Evite tabagismo e excesso de álcool: o cigarro reduz os níveis de HDL, enquanto o consumo abusivo de bebidas alcoólicas pode aumentar os triglicerídeos.
A importância do acompanhamento profissional
Cada mulher vivencia a menopausa de forma única. Algumas apresentam sintomas intensos e alterações metabólicas significativas, enquanto outras têm um processo mais suave. Por isso, o acompanhamento médico e nutricional é essencial para definir estratégias personalizadas. Em alguns casos, pode ser indicada terapia de reposição hormonal, sempre avaliada com cautela e de acordo com as condições de saúde de cada paciente.
Um nutricionista pode ajudar a estruturar um plano alimentar que respeite a rotina, as preferências alimentares e as necessidades individuais, garantindo resultados mais consistentes e sustentáveis.
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